O Feltro Artesanal
[descrição ainda incompleta]
A feltragem é a transformação mágica de pedaços de fibras de lãs numa durável e fascinante tela não tecida. É a mais velha forma conhecida de fazer um textil.
Este processo muito antigo é uma actividade centenária em toda a Europa e é hoje em dia utilizado por muitos artesãos/artistas/designers em trabalhos tão diferentes como roupa, acessórios e ornamentos pessoais, ou até como forma de arte e decoração.
Pensa-se que o feltro terá tido origem na Ásia (vestígios arqueológicos foram encontrados nesta zona e datam de 600 A.C.) mas diz-se que o homem já conhecia a fabricação do feltro muito antes desta data. Desde essa altura que o feltro é utilizado em como forma de protecção ou decoração – desde roupa, mantas e tapetes, até as tendas dos nómadas asiáticos.
Há algumas lendas sobre a origem do feltro.
Fica a referência a uma que acho engraçada e que acontece na Arca de Noé. Num espaço pequeno com vários animais, entre os quais ovelhas, o calor fazia os ditos animais perderem a lã. Com a acção da urina sobre a lã caida e pela fricção das patas dos animais em cima da mesma o resultado foi um grosso tapete que cobria o chão da arca. Esta lenda explica em breves palavras o processo da feltragem.
O feltro é produzido pela pressão das fibras que o compõem, condensando-as. São as fibras amontoadas e condensadas que dão a estrutura ao feltro.
O feltro pode ter qualquer cor e pode ser feito em qualquer forma ou tamanho. Há tipos de feltro mais ou menos macios, mais ou menos resistentes – alguns são tão resistentes que podem ser utilizados como material de construção como acontece ainda actualmente com alguns povos nómadas da Ásia central na execução das suas tendas.
No mundo ocidental o feltro é utilizado extensamente como meio de expressão artística onde adquire o significado de um material ecológico.
Técnicas ou processos utilizados na feltragem artesanal
Wet felting – feltro molhado com a técnica de “água e sabão”
Um dos processos utilizados para fazer o feltro é o chamado “feltro molhado”, onde a fibra natural da lã é estimulada pela fricção e lubrificada pela humidade da água e pelo sabão. No processo de feltragem só aproximadamente 5% das fibras recebem a fricção a todo o momento daí o processo ser contínuo e algo demorado para se conseguir atingir toda a matéria.
Um exemplo - uma das formas de fazer feltro molhado é colocando uma peça de lã na máquina de lavar a uma alta temperatura – as fibras juntam-se quando combinadas com o movimento da máquina, com o calor e a humidade da água e com a adição do sabão. Daí que a roupa de lã deva ser lavada à mão ou na máquina em água fria senão corre-se o risco de a feltrar.
Neddle felting – feltro seco com a técnica da “agulha”
O feltro também se pode obter através de um processo sem água a que podemos chamar, em oposição ao “feltro molhado”, de “feltro seco”. Neste processo utiliza-se a feltragem com agulha – uma agulha especial para o efeito e que contém uma série de ranhuras. Ao contrário das agulhas conhecidas esta não serve para coser nem fazer laçadas de linha ou lã. A agulha utiliza-se picando as fibras de lã, arrastando-as umas contra as outras e ligando-as dessa forma, entrelaçando-as.
Aqui ficam algumas das características do feltro:
Funciona como um material isolador, conservador da temperatura e regulador da humidade.
É um abafador do som e da luz. É um mau combustível.
Além disso é um material ecológico e renovável.
Não se suja facilmente já que em vez de atrair a sujidade a rejeita, o que faz com que não necessite de grandes processos de limpeza.
Além de todos este dados, características e especificações, esta breve descrição não ficaria completa se não referisse outro aspecto.
Costumo dizer que com o
feltro tudo é possível. Que é possível fazer tudo com ele. As suas
possibilidades são ilimitadas.
Daí que considere que com o feltro o único limite é mesmo a IMAGINAÇÃO!
Helena Pinto [Feel 4 felt]
Nota: os dados sobre o feltro foram recolhidos em várias fontes, entre as quais destaco os recolhidos da autoria da formadora Barbara Faber.